A avaliação de desempenho sempre foi uma parte fundamental na gestão da performance e de pessoas. Com ela, procuramos estabelecer um padrão comparativo, um régua única, clara e, supostamente, objetiva para medir e monitorar o progresso de cada um dos colaboradores, ajudando a estabelecer metas de desempenho.
Em TerraDois, essa régua quebrou.
UMA RÉGUA, MUITAS MEDIDAS
TerraDois é a era da multiplicidade. Se no mundo padronizado, de TerraUm, nos pautávamos por aquilo que era geral, comum a todos — e por isso mensurável — hoje, vemos que cada ser humano é singular. É a diversidade ampla, em todos os sentidos do termo. E mais, vemos que os talentos e habilidades singulares importam, hoje, muito mais do que as habilidades compartilhadas e padronizadas. Tudo isso coloca em xeque a avaliação como até então conhecemos.
“Insistir em medir pessoas diferentes com as mesmas réguas faz as empresas perderem os talentos.”
Silvio Genesini
Como medir habilidades, focos, e estilos vastamente diversos a partir de uma mesma régua? Não há como medir o talento singular a partir de dados fixos e universais — é um contra-senso. Se os valores mais importante nessa era são aqueles não parametrizáveis – por exemplo, as chamadas “soft skills” — é preciso uma mudança de lógica.
“A verdade é que nós detestamos ser avaliados por uma razão muito simples: avaliação quer dizer transformar você em um critério geral. Ninguém quer ser um critério geral, todo mundo quer ser um critério singular. Todo mundo quer ter algo de único na vida.”
Jorge Forbes
O FIM DA AVALIAÇÃO?
Isso quer dizer que a avaliação vai sumir? Não. Quer dizer, primeiramente, que ela deve ser capaz de ser vastamente mais flexível, fluida e passível de se adaptar a cada contexto. O que faz com que pensemos mais em: avaliações periódicas, avaliações por projeto e feedback on time. Mas precisamos ir além disso. Para que de fato a avaliação se torne flexível e se adapte à circunstância que se impõe — e não apenas cenários previsíveis e fictícios — é preciso incluir a subjetividade.
É preciso entender que, em TerraDois, nenhuma metodologia de avaliação substitui a leitura subjetiva da pessoa e do contexto. No mundo de hoje, vemos a avaliação como uma ferramenta importante, mas a decisão sobre o que fazer com seus dados deve incluir a subjetividade do líder.
Se costumamos supor que a subjetividade atrapalha as decisões, que o melhor seria nos pautar apenas pela padronização de dados, hoje nos damos conta de isso é uma falsa segurança de estarmos, enfim, sendo puramente objetivos — quando a objetividade pura sequer existe. Hoje, fica mais evidente que vivemos em um mundo de razão sensível.
A razão asséptica, define Jorge Forbes, "é aquela que se faz provas a partir de número e, tirando a subjetividade, acha que tem o acesso à verdade. A razão sensível é aquela que sabe que nada na natureza humana pode ser feito sem a sua subjetividade." O ser humano não opera apenas numa razão asséptica, mas a combina com a razão sensível.
Não deixaremos de ter referências e algum nível de objetividade quando se trata do desempenho, até porque precisamos de parâmetros para pautar nossas estratégias. Porém, a empresa que tem verdadeiramente o humano no centro é aquela que sabe fazer uso das habilidades singulares e subjetivas, e que inclui a razão sensível — e é aqui que precisamos inverter a lógica.
Texto publicado originalmente na newsletter Tocando o Futuro, da beatt.