Tomar decisões clara e assertivas — essa é uma das principais funções do líder. No mundo sem padrões em que vivemos hoje, chamado de TerraDois pelo psicanalista Jorge Forbes, o número de escolhas que devemos fazer diariamente, dentro e fora do escritório, se multiplicou. Não apenas isso, as principais questões de hoje são marcadas por sua imprevisibilidade e singularidade: não é possível buscar em exemplos validados respostas para elas.
Como, então, nos assegurarmos, nesse mundo novo, de que estamos tomando a decisão certa?
O MUNDO NÃO É MAIS PREVISÍVEL
O mundo hoje passa por constante transformação. Mesmo sem colocar na balança grandes eventos como pandemias, crises econômicas, guerras... novas carreiras, mercados e empresas são criados a cada ano, nos mostrando como as certezas do passado se tornaram ilusórias. Nos vemos cada vez mais em situações em que o passado não serve mais de referência para prever o futuro.
Em face a esse novo e mutante cenário, muito se fala em incentivar a agilidade em aprender, e a capacidade de se adaptar a novos cenários. O que queremos reforçar, porém, é um passo além: mesmo as abordagens mais ágeis não vão ser capazes de mapear o novo cenário com informações suficientes para que possamos ter certezas antes de agir.
A incerteza será sempre um fator, e cada vez nossas decisões irão incluir o risco do desconhecido.
"O mundo em que a gente está vivendo é um mundo necessariamente de risco" Jorge Forbes
NÃO IREMOS TUDO SABER
Os dados não ficaram apenas mais complexos, agora, nos deparamos cada vez mais com questões que ficam em aberto, ou que possuem a possibilidade de mais do que uma resposta. Quem for esperar obter todos os dados, todas as informações, todas as certezas, para depois agir, ficará paralizado. Mais e mais teremos que decidir na incerteza.
Abandonaremos, então, os benchmarkings e os guias de boas práticas? Assim como os estudos de tendências e as pesquisas de mercado? Na verdade, não. Eles continuarão servindo como referências valiosas em muitas instâncias. Porém, devemos saber que eles ainda deixarão em aberto uma infinidade de aspectos inéditos que permeiam o emaranhado das relações humanas e comerciais.
Em face a isso, o líder de TerraDois terá que, primeiramente, usar não apenas sua razão asséptica, mas também sua razão sensível. A primeira, lembra Jorge Forbes, "é aquela que se faz provas a partir de número e, tirando a subjetividade, acha que tem o acesso à verdade". Já a razão sensível, ele continua "é aquela que sabe que nada na natureza humana pode ser feito sem a sua subjetividade."
Em segundo lugar, onde estudos, predições e dados falham, o líder terá que sustentar e se responsabilizar por sua decisão.
Não vamos excluir o risco, teremos que lidar com ele fazendo uso das características humanas por excelência: criatividade e responsabilidade.
Texto publicado originalmente na newsletter Tocando o Futuro, da beatt.