As empresas reconhecem, cada vez mais, a necessidade de mudança. Novos processos são planejados, treinamentos são aplicados, workshops são realizados. E, ainda assim, instaurar o novo dentro de uma organização continua sendo um desafio imenso. Mesmo quando há consenso sobre a importância de uma nova abordagem, a transição raramente acontece de maneira fluida.
A Dificuldade de Quebra de Paradigma
No cotidiano, as pessoas tendem a voltar ao que é conhecido. Mesmo após treinamentos e alinhamentos estratégicos, a força do hábito e a segurança das práticas anteriores fazem com que a mudança se dilua no dia a dia. Não é incomum ver empresas que, mesmo investindo na implementação de novas metodologias, acabam retornando aos velhos padrões por inércia.
Não se trata apenas de ajustes de rota em metas e tarefas, nem da tão falada “cultura do erro”. Estamos falando da possibilidade de mudanças mais estruturais, que constantemente esbarra em uma resistência ao novo, uma tendência a voltar, quase que automaticamente aos caminhos já conhecidos.
A mudança exige mais do que uma decisão racional – ela precisa ser sustentada internamente por mecanismos que evitem esse retorno automático ao que já estava enraizado.
O Limite da Transparência
Muitas organizações apostam na transparência como motor da transformação. Acreditam que, ao tornar o novo processo claro e bem comunicado, ele será automaticamente absorvido. Mas a realidade mostra que a simples exposição das razões e benefícios da mudança não garante que ela se concretize. É preciso uma mudança de perspectiva.
Mundo Mutante
Vivemos em um contexto de transformação acelerada – um mundo TerraDois, instável, dinâmico, mutante. Nesse mundo, a capacidade de recalcular a rota é essencial para a sobrevivência das empresas. O problema não é apenas implementar uma nova mudança, mas aceitar que o processo de transformação nunca cessa. Empresas que não cultivam a habilidade de se adaptar rapidamente correm o risco de ficarem presas em modelos que já não respondem às necessidades do presente.
“Em TerraDois, não temos uma bússola segura, somos todos GPS ambulantes, vivemos corrigindo nossas rotas.” Jorge Forbes
A dificuldade em mudar precisa ser trabalhada. Mais do que processos e treinamentos, é necessário criar um ambiente onde a mudança seja parte do fluxo natural da empresa, e não uma série de ajustes pontuais.
Texto publicado originalmente na newsletter Tocando o Futuro, da beatt.