O que as pessoas querem?
Há mais de 25 anos, quando as organizações identificaram um novo comportamento profissional de abandono dos empregos sem motivo justificável (melhor oferta, por exemplo), temas como satisfação e qualidade de vida lotaram as pautas e pesquisas de RH para tentar responder a este e outros fenômenos. Daí em diante, as empresas passaram a ser questionadas e a se questionar sobre o seu papel na relação mais profunda de seus colaboradores com o trabalho, criando e aplicando metodologias que buscassem garantir o bem-estar neste ambiente, numa lógica direta entre satisfação e performance.
É aí que o termo “engajamento” passa a ser aplicado no vocabulário organizacional, a partir de discussões culturais de como promover uma mudança de atitude voluntária para o desempenho. Se a satisfação você não vê, é interna, o engajamento se traduz em ações práticas. Nesse sentido, as empresas se dedicaram à criação de novo métodos e de ambientes cada vez mais “engajadores”.
Mesmo assim, não resolvemos a charada da retenção. O que acontece? O que as pessoas querem?
“A primeira coisa que as pessoas querem é que você não diga o que elas querem.”
Jorge Forbes
Conexão: Como articular o Coletivo e o Singular?
A toada desse ambiente “mais engajador” conversou muito com o mundo de TerraUm, à medida que as empresas apostaram em unir as pessoas através de propósitos e culturas organizacionais baseadas em ideais comuns. Estas são respostas que criam um padrão, algo que funcionaria para todos de igual maneira.
A principal questão é que estão substituindo respostas padronizadas — plano de carreira, bônus, promoções... — por novas respostas, porém, igualmente padronizadas, como o propósito. São tentativas de definir um "bom para todos", ressalta Jorge Forbes, psicanalista e cofundador da beatt.
Em TerraDois, as conexões não se dão mais da mesma maneira. Se antes estar conectado era criar uma unidade, um coletivo uniformizado e uníssono, hoje vemos uma dinâmica social, baseada em grupo mais versáteis e temporários: as pessoas migram com mais fluidez para grupos variados e na mesma rapidez que se conectam, também se desconectam daquilo que não me interessa mais.
Isso quer dizer que não é mais possível gerar conexão? Não. Quer dizer, porém, que o próprio conceito de conexão precisa incluir as características desse novo mundo: múltiplo e fluido.
“A empresa deve aprender a conviver com múltiplas expectativas e múltiplos desejos”
Silvio Genesini
É preciso compreender que a horizontalização da sociedade não pede apenas uma mudança nas cadeiras corporativas. É uma mudança que ressalta a diferença singular de cada pessoa. Nesse mundo horizontal, em TerraDois, não é possível mais operar a partir de padrões únicos e estáticos, é preciso fazer conviver a pluralidade e a variabilidade, inclusive de desejos. Isso sim é altamente engajador.
Texto publicado originalmente na newsletter Tocando o Futuro, da beatt.