Vivemos em um mundo imprevisível. Pandemia, crises econômicas e guerras escancararam esse fato, mas podemos constatar, em todas as dinâmicas do dia a dia, que as antigas certezas são constantemente postas à prova, desafiando nossa capacidade de previsão e estabilidade.
As empresas estão no mundo do “IN”. Um mundo INcerto, INstável e INtangível.
Silvio Genesini
É sensível que antes vivíamos em um mundo padronizado, previsível, e com pouca flexibilidade — TerraUm, nomeia o psicanalista e cofundador da beatt, Jorge Forbes. Essa era uma realidade onde as regras eram claras e os caminhos vinham com garantias. Hoje, em TerraDois, estamos em um mundo caracterizado pela multiplicidade e pela coexistência de inúmeros padrões. Aqui, as possibilidades são vastas e igualmente válidas, desafiando-nos a reconhecer e a escolher entre um leque extenso de caminhos e escolhas. O que era antes uma trajetória linear e previsível, agora se transforma em uma rede complexa e dinâmica de possibilidades.
Disrupção Contínua
Pesquisas em microeconomia e comportamento organizacional da Case Western Reserve University mostram que a disrupção, acostumava acontecer a cada meio século, ou mais. Hoje, as organizações têm de revisitar os seus produtos e serviços a cada 10 ou 5 anos, dependendo do setor. Se antes as organizações pensavam em se reinventar a cada 30 ou 40; hoje as pesquisas mostram que as empresas pensam em se reinventar a cada 2 ou 3 anos para sobreviver! E isso muda tudo.
Navegando na Imprevisibilidade
TerraDois nos impõe uma mudança fundamental: o futuro não é mais uma extensão linear do presente, mas uma criação contínua dele. Em TerraUm, estávamos acostumados a nos preparar para o que estava por vir, com base em projeções e expectativas. Agora, todas essas são postas a provas, logo precisamos inventar ativamente o futuro a cada momento.
Essa mudança traz consigo a necessidade de abandonar o "piloto automático", coloca Jorge Forbes. Se antes a rota era clara e direta, agora é necessário ser como um GPS constante, sempre pronto a recalcular o caminho. Cada decisão, cada escolha, transforma-se em um passo na invenção do nosso futuro.
Inteligência de dados não exclui a subjetividade
Uma abordagem analítica e a tomada de decisão baseada em dados é a aposta de muitos para a tomada de riscos calculados. É preciso trabalhar com os dados e evidências que temos à disposição, ao mesmo tempo sabendo que a soma dos dados não irá excluir o risco e a necessidade de escolha subjetiva.
Nassim Nicholas Taleb na obra "A Lógica do Cisne Negro" argumenta que apesar de nossa tendência a focar em padrões e previsões mais regulares e controláveis, o mundo é frequentemente moldado por tais eventos raros e imprevisíveis. Ou seja, os maiores impactos vêm de eventos que não poderíamos prever independente de todo dado objetivo obtido.
Tais eventos exigirão respostas subjetivas, aumentando assim a responsabilidade do papel do líder.
Risco e Responsabilidade no Presente
A invenção do presente é um exercício de responsabilidade. Em um mundo imprevisível e de múltiplas possibilidades, cada escolha é, por natureza, arriscada. Essa realidade exige de líderes e empresas uma nova postura: a de aceitar e abraçar o risco como parte integrante do processo de decisão.
O líder é confrontado à necessidade do risco e da aposta, e o que diferencia o grande do pequeno líder é o talento, a coragem, a ousadia e a criatividade
Jorge Forbes
A ousadia e a responsabilidade tornam-se características fundamentais para quem deseja não apenas sobreviver, mas habitar TerraDois.
Texto publicado originalmente na newsletter Tocando o Futuro, da beatt.