Em um mundo cada vez mais pautado pela volatilidade e pela transformação digital, uma pergunta não quer se calar: o futuro do trabalho é mais ou menos humano?
Toda grande revolução da técnica torna uma grande porção de trabalhos obsoletos. É realista o temor de que a automação e a inteligência artificial substituam significativamente os empregos humanos, especialmente em setores que dependem de tarefas rotineiras e processuais.
Ao mesmo tempo cresce o espaço para a colaboração Homem-Máquina . A tecnologia pode ser usada para ampliar as capacidades humanas, não simplesmente substituí-las. Ferramentas de IA e robótica, por exemplo, podem liberar as pessoas de tarefas monótonas, permitindo-lhes focar em atividades mais significativas e criativas, promovendo um ambiente de trabalho mais humano.
“As máquinas, a tecnologia e a inteligência artificial preencherão melhor os protocolos. Mas máquinas não pensam a si mesmas, não duvidam, não têm questões éticas” Jorge Forbes
A CRIATIVIDADE
É o momento de apostar em duas habilidades. Primeiro, em saber trabalhar com as máquinas, uma vez que o analfabetismo digital criará enormes lacunas sociais. E segundo, nas habilidades intrinsicamente humanas.
Aquilo que é a base do ser humano, coloca o psicanalista Jorge Forbes, é a criatividade , concebida em sua radicalidade. Não simplesmente fazer um texto ou imagem, algo que claramente a inteligência artificial é capaz de realizar, mas a habilidade de engendrar o verdadeiramente novo, aquilo que foge a parâmetros, e por isso não pode ser replicado por algoritmos.
“Tudo que for protocolar, padronizável, as máquinas farão cada vez melhor que nós. Paradoxalmente, o avanço da Inteligência Artificial abre espaço para a subjetividade humana; esta, não é capturável em nenhum algorítmo.” Jorge Forbes
INOVAÇÃO CONSTANTE
O ritmo acelerado de mudanças tecnológicas e a globalização exigem uma capacidade contínua de inovação. A criatividade, nesse contexto, atua como a força motriz por trás da geração de novas ideias, produtos, serviços e modelos de negócios. Ela permite que empresas e profissionais não apenas se adaptem, mas também prosperem em mercados que estão em constante evolução.
FLEXIBILIDADE E ADAPTABILIDADE
A instabilidade é uma característica marcante do nosso tempo, demandando uma grande capacidade de flexibilidade e adaptabilidade. Profissionais criativos destacam-se por enxergar mudanças não como obstáculos, mas como portais para novas oportunidades. Esta habilidade de ajustar estratégias e abordagens em resposta a situações inesperadas ou em rápida transformação é essencial para a resiliência e o crescimento contínuo. A criatividade, portanto, não se limita a criar conteúdos ou novos produtos; ela se manifesta na habilidade de repensar processos, adaptar-se a novos contextos e reinventar práticas estabelecidas de maneira eficaz e inovadora.
ADAPTAÇÃO À AUTOMATIZAÇÃO E À INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
À medida que a automação e a inteligência artificial (IA) se tornam cada vez mais integradas ao ambiente de trabalho, ocupando-se de tarefas rotineiras e analíticas, a criatividade humana ganha um novo valor. Diferentemente das capacidades técnicas, que podem ser codificadas e automatizadas, a criatividade envolve um elemento de singularidade e inovação que as máquinas ainda não conseguem replicar.
Este aspecto único da criatividade assegura sua relevância e demanda em um futuro onde muitas habilidades tradicionais poderão se tornar obsoletas. Profissionais que conseguem combinar pensamento criativo com conhecimento técnico são, portanto, extremamente valiosos, pois trazem soluções inovadoras que vão além do que a automação pode oferecer.
“O ser humano tem de insistir no que a inteligência artificial não faz. O líder pós-moderno aciona sobretudo as humanidades.” Jorge Forbes
O futuro do trabalho é mais tecnológico, mais criativo e mais humano.
Texto publicado originalmente na newsletter Tocando o Futuro, da beatt.