No limiar do ano de 2024, o cenário do trabalho se desenha em meio a um turbilhão de mudanças e inovações. Frente às projeções e análises de tendências para o próximo ano, selecionamos 5 aspectos que devemos ter em mente nesse momento de virada.
A Crise da Liderança Pede um Novo Paradigma
Liderar é uma habilidade cada vez mais complexa. O ambiente externo se tornou mais dinâmico, volátil e instável, pedindo que a liderança hoje não se apoie em nenhum piloto automático. O ambiente interno da empresa, porém, também mudou radicalmente a relação entre líderes e liderados. As relações horizontais trazem uma série de impasses para os quais não há cartilha, há que se ver no um a um. Liderar tornou-se muito arriscado.
Com isso, chegamos a duas questões da crise da liderança. A primeira, há uma geração de pessoas que hoje não querem o risco de liderar. A segunda, aqueles que hoje já alcançaram cargos de liderança o fizeram com habilidades próprias de TerraUm, mas agora devem exercer seus papeis em TerraDois, um mundo que, muitas vezes, exige o oposto do que elas aprenderam.
É preciso que a liderança aprenda a operar com os novos paradigmas de TerraDois.
Sucessão Atribulada
A escassez de líderes TerraDois, como vimos cria também uma crise de sucessão. Se, por um lado, há pessoas em que identificamos o potencial para loderar, mas que não querem ocupar as cadeiras que se abrem, por outro, há também uma crise de formação. Há uma escassez de pessoas com as habilidades e aptidões necessárias para navegar nesse mundo instável.
Além disso, o tempo de permanência nas organizações tem demonstrado uma outra crise: a da fidelidade. Mais ávidos por trabalhar nas empresas enquanto estas oferecerem possibilidades de realizar seus projetos pessoais, o lugar da sucessão agora é outro: ao invés de buscar atender somente os requisitos da empresa, será preciso considerar os desejos de carreira das pessoas e revistá-los com frequência.
O Desafio Educacional
As empresas encontram hoje um grande desafio: o de treinar e educar as equipes. O mundo de hoje nos demandará a capacidade de debater assuntos intricados em tempos recordes, uma vez que os cenários mudam constantemente, enquanto a complexidade das questões demandam discussões de qualidade.
Há ainda uma dificuldade em lidar com questões que não possuem uma resposta categórica, uma verdade absoluta ou imutável. Preparar os líderes e colaboradores para saberem melhorar a qualidade de suas dúvidas ao invés de se apoiarem em uma resposta final é um grande desafio.
As novas metodologias não são suficientes para dar conta desse cenário, pois ainda apostam em modelos definitivos.
Reinventando o Processo Seletivo & As Carreiras
As grandes carreiras não irão mais existir. Ela não se farão mais por uma escalada de postos e posições. Cada vez mais os trabalhos são organizados nos âmbitos de projetos, com equipes e posições sempre em uma fluida mudança. Com isso temos a questão: como aproveitar habilidades de cada um a cada contexto?
O que nos leva a rever o processo seletivo: as habilidades mais relevantes não vão ser identificadas pelo padrão de seleção. É preciso reinventar esse processo como um todo.
Inteligência Artificial veio para ficar
Entre exaltados e temerosos das novas tecnologias, algo podemos apostar: a inteligência artificial veio para ficar. Em alguns contextos, ela irá substituir o trabalho humano, ao mesmo tempo em que outras profissões nascerão em decorrência desse avanço. Na maioria dos trabalhos, porém, trabalharemos junto com ferramentas de inteligência artificial, por isso, é preciso que estejamos preparados para não cair no analfabetismo tecnológico.
Estamos vivendo uma mudança paradigmática das relações humanas. Em 2024 estaremos frente a frente com questões e desafios aos quais precisaremos decidir: quero atuar em TerraUm ou em TerraDois?
Texto publicado originalmente na newsletter Tocando o Futuro, da beatt.