Quando falamos das qualidades de um líder, um dos atributos que sempre aparece no topo da lista é ter uma boa comunicação. Isso, em geral, se traduz em ser capaz de comunicar claramente suas ideias, visão e metas para a equipe, ter transparência, além de garantir que todas as partes compartilhem de uma mesma compreensão do que está em jogo. Em outras palavras, é parte do trabalho do líder diminuir o mal-entendido nas comunicações.
Tudo isso são atributos importantes para liderar, mas e se a gente disser que um dos maiores atributos do líder hoje é, também, suportar liderar no mal-entendido?
Um líder hoje tem que estar pronto a suportar o mal-entendido
Jorge Forbes
NÃO VAMOS ACABAR COM O MAL-ENTENDIDO
Estamos acostumados com a máxima "é conversando que a gente se entende". Isso é verdade até certo ponto. No diálogo, conseguimos nos aproximar de um ponto comum de entendimento — destacamos: aproximar, mas não chegar. Do ponto de vista da linguagem, uma compreensão total não é possível, há sempre um espaço para o mal-entendido.
Quem explica isso é o psicanalista, Jorge Forbes, que também é cofundador da beatt:
Não vamos escapar ao mal-entendido. Não por erro ou por má vontade, mas porque ele é inevitável, uma vez que na vida humana há sempre um inominável na raíz.
Jorge Forbes
Além disso, a pós-modernidade — TerraDois, como nomeia Jorge Forbes — não é um mundo de verdades estáveis e, sim, um mundo onde diferentes pontos de vista — muitas vezes conflitantes — coexistem. É um mundo da impossibilidade do consenso. Por melhores que forem os argumentos, por mais expressivos que forem os fatos, não vamos operar mais no consenso, por isso, um líder terá que saber articular as diferenças e se posicionar quanto à sua decisão.
Em vez de buscar o consenso, busque articular as diferenças
Jorge Forbes
Com isso, muitas vezes, a decisão do líder não vai ser compreendida por toda a equipe. Será função do líder transmitir essa compreensão até o ponto onde for possível, mas sustentá-la mesmo na ausência do consenso.
Para isso, vale a frase de Disraeli, primeiro-ministro da Rainha Vitória, "never complain, never explain" sob uma releitura: “Não se explique, nem se justifique”.
Texto publicado originalmente na newsletter Tocando o Futuro, da beatt.