Nos últimos anos, o Employee Experience (EX) tomou um lugar expressivo no universo corporativo. Mas por quê? Responder a esta pergunta é mais importante do que parece.
Uma revolução humana
As empresas fazem parte da ordem social do mundo e se há uma revolução em curso, elas também serão impactadas.
Há cerca de 30 anos, nosso mundo viu surgir a internet e isso mudou tudo o que conhecíamos. Nossos conceitos, criados sobre uma sociedade previsível e estável, de papéis definidos e hierarquias determinando uma ordem vertical — na família, educação, política, religião, assim como nas empresas —, precisaram ser reinventados para uma sociedade agora horizontal, instável e mutante. Fomos de TerraUm para TerraDois, como coloca Jorge Forbes.
Uma das mudanças que se contrapôs à forma como pensávamos e executávamos negócios nos últimos anos é a ideia de que as relações empresariais são relações humanas, e não apenas comerciais. É o ser humano quem está no centro desses acordos. Para atender aos aspectos mais subjetivos do business e personalizar o vínculo, vimos surgir estratégias de experiências do cliente. Estas porém, fatalmente esbarraram em outro ser humano pelo caminho: o colaborador. Assim, o EX - Employee Experience nasce como uma resposta àqueles que habitam nossas empresas e que, diferentemente dos nossos clientes, são a própria organização.
Ninguém te contou, mas a empresa, de fato, não existe. É uma ideia vivida por pessoas.
Agatha Machado, especialista em EX e CEO da beatt
Concordamos que esse ser humano mutante quer renovadas formas de relacionamento corporativo, muito além dos processos desenhados de cima para baixo e iguais para todos, mas como atendê-lo em seus múltiplos desejos é um desafio prático. Colocar o humano no centro de tudo será um desafio maior do que se pensa.
EX: Cultura e Liderança
Cada pessoa é absolutamente singular. O ser humano não é replicável, o que funciona para um, pode ser um desastre para outro. As pessoas, também, não se comportam de maneira constante, mas, sim, podem variar de acordo com o contexto. Não são previsíveis, pelo contrário, a inteligência criativa é seu maior talento. Colocar a subjetividade humana no centro é lidar a todo momento com a diversidade, ou seja, com a ausência de padrões.
A abordagem de EX busca atender parte dessa demanda, preocupando-se em como criar uma mecânica de relacionamento que engaje o novo colaborador. Uma grande parcela das empresas, porém, acaba por enxergar ou praticar o EX como uma revisão de processos e não como uma estratégia de negócio e de transformação cultural. Além disso, existe uma evidente desconexão entre as políticas de RH e estratégias de liderança que impulsionam a cultura.
Por um lado, isso acontece, pois, trabalhar crenças organizacionais não é uma tarefa fácil; por outro, há uma necessária tomada de consciência de que, seja o EX, ou qualquer outra iniciativa similar de personalizar a relação do colaborador com a organização, ela precisará ser entendida como uma forma de raciocinar o negócio, como uma estratégia que permeia toda a empresa e que será trabalhada a muitas mãos.
Tudo relacionado ao que conecta o trabalho aos desejos das pessoas mudou. E você, sabe o que engaja o seu colaborador?
Texto publicado originalmente na newsletter Tocando o Futuro, da beatt.