“Coaching”. Uma palavra tão repetida, que já virou um jargão (não só no mundo dos negócios)... Se você está no universo corporativo, então, certamente já participou de algum “processo de coaching”, seja voluntariamente ou a contra gosto. Talvez você até tenha em seu currículo alguma (ou várias) das suas certificações. Afinal, os argumentos dessa metodologia são interessantes: quem não gostaria de definir com clareza e certeza seus objetivos e ser instruído e treinado a como chegar lá?
Mas… e se a gente disser, porém, que esses não são os valores e habilidades próprios do novo mundo?
DE ONDE VEM O COACHING?
O termo tem origem acadêmica. Pesquisadores indicam que ele foi criado pela Universidade de Oxford (1830) para definir a posição daquele que preparava, conduzia o estudante para seus exames. Alguém que olharia para o trajeto que esse estudante deveria trilha e o ajudaria mais facilmente e assertivamente a chegar lá. O objetivo era claro, o necessário era tirar os obstáculos do caminho ou equipar a pessoa de habilidades para vencê-los.
Esse termo deslocou-se facilmente para o mundo do esporte e para o mundo corporativo, com as devidas adaptações, mas seguindo a mesma lógica: facilitar o caminho do ponto de partida para a meta .
Nas empresas, isso significa:
Preparar o líder para atuar eficientemente. Ajustar as pessoas às organizações. Manter colaboradores disciplinadamente engajados. Aumentar a autoconfiança e ampliar seus limites para atingir o potencial máximo e alcançar metas de forma objetiva e assertiva.
ORIENTANDO-SE PELA INCERTEZA
Essa lógica funcionou muito bem por um tempo. Em TerraUm estávamos em um mundo previsível, progressivo e garantido, era um mundo em que apontar os objetivos era claro, a dificuldade estava em alcançá-los. TerraDois , porém balançou esses valores.
Se antes trabalhávamos em cima de previsões, a partir das quais, gerávamos tomadas de decisões que nos levaria progressivamente à nossa meta, nos dando assim alguma garantia de que estávamos indo para o caminho certo, hoje o maior imperativo que temos que lidar é a incerteza . O mundo é tão diverso e inconstante que nenhuma meta, nenhum alvo, fica fixo por muito tempo, eles estão em constante mutação e desenvolvimento. O caminho de A para B foi substituído por direções múltiplas, de tal modo que é um desafio mensurar se estamos progredindo. Nesse cenário, nenhuma previsão nos dá as garantias que uma vez tínhamos, temos sempre que tomar decisões com uma grande carga de risco.
“As empresas estão no mundo do “I N”. Um mundo INcerto, INstável e INtangível.”
Silvio Genesini
Precisamos não de um coaching, mas de um UNCOACHING.
Uma abordagem que:
Prepare o líder para atuar criativamente em TerraDois. Eleve as pessoas além dos limites das organizações. Mantenha colaboradores indisciplinadamente inovadores e incentive o talento. Vise o aumento da criatividade e intuição, privilegia o risco e a experimentação, e a convivência com as incertezas.
“Estamos em um mundo novo, com novos sintomas, mas utilizando velhos remédios”
Jorge Forbes
Frente a essa instabilidade, pode parecer, à primeira vista, um bom plano insistir em metodologias TerraUm , afinal, elas prometem reconstruir as velhas certezas, deixar novamente o mundo linear e previsível. Na prática, porém, não é possível voltar atrás. Estamos em TerraDois . A maior habilidade hoje não é garantir a certeza do caminho a ser trilhado, mas sim, saber operar na incerteza.
Texto publicado originalmente na newsletter Tocando o Futuro, da beatt.