Vivemos uma era em que as estruturas de poder nas organizações mudam a uma velocidade inédita. Fusões, reestruturações, novas frentes de negócio, novas tecnologias. As cadeiras giram. E nem sempre dá tempo de o corpo se adaptar à nova postura que ela exige.
Se antes a formação de lideranças podia seguir uma trilha linear — cargos, competências, treinamentos —, hoje, o que vemos são líderes sendo convocados para funções que mudam antes mesmo de serem compreendidas. O desafio não é só técnico. É de prontidão.
O investimento existe — o tempo, não
As empresas seguem investindo em formação. Plataformas de conteúdo, cursos, mentorias, trilhas de desenvolvimento. Mas o que falta não é recurso — é desenvoltura frente o imprevisível. A capacidade de sustentar a responsabilidade antes da segurança, de agir mesmo em meio à incompletude.
O líder que precisa ser formado para uma cadeira que já está ocupando, já está atrasado. A aceleração dos negócios faz com que as lideranças envelheçam rápido — não de idade, mas de repertório.
Liderar é sustentar o improviso certeiro
Formar lideranças, nesse cenário, não é garantir que alguém esteja “pronto”. É treinar o músculo da mobilidade. Desenvolver líderes que sejam capazes de agir antes de entender tudo. Que saibam improvisar — com responsabilidade. Que liderem mesmo sem garantia de acerto.
“Um líder hoje deve ter uma história para contar, sim, mas, sobretudo, criatividade para inová-la.” Jorge Forbes
Na beatt, acreditamos que a formação da liderança não é apenas um acúmulo de saberes, mas uma disponibilidade constante: para se afetar, se contradizer, se reconfigurar. Para habitar a ambiguidade.
Texto publicado originalmente na newsletter Tocando o Futuro, da beatt.